DIYour Mom – Customiza e fala com: Caique e Andréa

Você já parou pra trocar uma ideia com sua própria mãe?

Eu sempre fui próximo da minha, mas muitas vezes a gente deixou de conversar sobre vários assuntos que são importantes e, hoje, para celebrar o Dia das Mães, convidei minha mãe pra bater um papo, enquanto obviamente, a gente faz umas artes em uma blusa que a Tricoteen me mandou, pra também mostrar que todo mundo consegue fazer alguma customização nas suas roupas pra torna-las únicas.

Por Caique Jota

Como minha mãe nunca mexeu com customização de roupas, eu sugeri que fizéssemos uma parada mais simples, que se a gente errasse, daria pra corrigir tranquilamente, pra tirar aquela pressão de “meu deus preciso fazer certo” dela e a gente conseguir ter um good time, então desenhamos juntos na peça umas linhas abstratas pra ela pintar. Depois disso, com ela empenhada em tornar o desenho bonito, a gente falou sobre a vida dela sendo minha mãe.

Eu não sei vocês, mas eu sabia da vida da minha mãe a partir dos anos que eu tomei consciência, lá entre os 7/8 anos. Antes disso, eu sabia por cima de coisas que ouvia por ai, como o fato dela ter se tornado mãe aos 17, mas não sabia o que isso tinha significado pra ela, não sabia se tinha sido difícil, como isso tinha acontecido, então resolvi perguntar como tinha sido pra ela.

Pra mim foi uma pergunta “simples”, mas pra ela soou como algo “complexo”, louco né?! Pra mim, que nunca fui pai, é só um “me conta ai como foi?”, pra ela é bem mais profundo que isso, afinal, ela teve que gerar uma vida enquanto a dela ainda não tinha sido completamente gerada, ela não era madura e adulta. Eu não consigo nem imaginar o que é ser pai aos 25(minha idade), imagine aos 17?

Ela me respondeu que naquela época, quase 30 anos atrás (tenho um irmão mais velho), ela acabou abrindo mão de muitas coisas, como os estudos dela e uma possível carreira, pra se dedicar a maternidade. Ela sente que demorou pra amadurecer, inclusive, ela costuma dizer que aprendeu junto com os filhos e isso é muito real, porque eu e meu irmão vivemos uma relação de troca de aprendizados com minha mãe, o que pra mim é incrível, porque ela nos compreende e a gente compreende ela.

Quando questionei a ela se ela se “arrepende” ou se deveria ter feito algo de forma diferente, ela me conta que não deveria ter abdicado da profissão dela, que deveria ter feito faculdade, não ter abrido mão dessas coisas, porque ela teve que resgatar tudo isso anos depois. Nessa mesma onda da conversa, eu questionei a “top dificuldade” quando ela foi mãe, mas ela a principio não viu nada como dificuldade, mas como um aprendizado, porque ela não sabia nada e teve que aprender absolutamente tudo e agradece a minha avó por ter ajudado e orientado ela, porque quando você tem apoio tudo fica mais fácil, diz até ser um privilegio, o que eu concordo completamente, são poucas as famílias que tem um ciclo de pessoas se ajudando assim e passando ensinamentos.

Entrando no assunto Sexualidade que eu sempre quis conversar com minha mãe, questionei a ela o que ela sentiu e quais foram as preocupações dela quando eu me assumi gay.

Eu nunca tinha perguntado isso a ela. Me assumi 7 anos atrás e até hoje eu não sabia o que ela tinha sentido naquela momento.  Ela me disse que “mãe sempre sabe, no fundo, quem é o filho”, então desde pequeno ela sabia quem eu era, inclusive, quando eu era pequeno eu colocava uma camiseta na cabeça pra fingir que era cabelo longo então, pra ela, ela sempre soube, porém por ela ter sido criado no meio de 5 homens (1 pai e 4 irmãos) e minha avó também ter a cabeça de uma geração machista, a preocupação dela era eu sofrer, era eu ser mal tratado na família, na rua ou qualquer outro lugar, o que em muitos momentos aconteceu nesses anos.

Ela lembra, até hoje, de uma frase que eu disse quando ela me perguntou se ser gay era realmente o que eu queria, que foi “mãe, se eu pudesse escolher, eu não escolheria isso pra mim”. Ela, naquele momento, entendeu que as coisas não eram tão simples assim, que não era uma questão de escolha e decidiu estar comigo pra tudo e até hoje ela cumpre, ela luta pelas minhas causas, levanta a bandeira e tenho orgulho demais disso.

É natural que as gerações passadas vejam a sexualidade como uma opção, mas isso não é a realidade, sexualidade é uma condição, eu nasci assim e não há o que fazer. Saber que minha mãe aprendeu isso, vindo de uma geração machista, é lindo.

Pra finalizar o papo, pedi pra ela dizer algo para mães que estão vivendo o que ela viveu, que tem um filho homossexual ou que se preocupam do filho crescer e ser gay. Pra ela ser mãe é aceitar, é amar incondicionalmente e que expulsar os filhos de casa, não respeitar, não é ser mãe, mãe é o contrario disso, é ver a pessoa que você gerou e respeita-la. Ela indicou um filme para vocês, chamado “Orações para Bobby” e disse que o filme tem tudo que ela gostaria de dizer, não só para mães, mas para qualquer pessoa, para pessoas aprenderem a tratar outras pessoas bem.

Mãe, obrigado por fazer parte disso, te amo e feliz dia das mães.

Confira o vídeo na integra:

Galpão Mag

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