A (Trans)formação da Moda

Por Caique Jota

Vocês já se questionaram quando o padrão da Moda que conhecemos hoje foi dividido entre o que é Feminina e Masculina? Existe uma explicação histórica e preciso dizer, culpem a Revolução Francesa!

Lá nos anos 1700, na Moda, embora existisse o papel “homem e mulher” estipulado com seus deveres (assunto para uma outra matéria), essa diferença não era dividida nas roupas. As vestimentas eram similares, homens usavam saltos, perucas e camisolas para dormir, a sociedade não via problema algum nisso, diferente do cenário pós Revolução Francesa, onde o Modelo Burguês de Comportamento foi adotado. Esse comportamento estabeleceu a separação do gênero através da Moda, o que a gente carrega até hoje. Será que não esta na hora da gente adotar um novo modelo de comportamento?! This is so 1800s.

Para falar sobre a Identidade de Gênero na Moda, acredito ser importante incluir pessoas que não se enquadram no padrão binário (homens e mulheres cis) imposto por anos, pela Sociedade, então convidei o Gui (@guigrossii) para trocar uma ideia sobre o assunto.


– Gui, me conta quem é você e o que é Moda pra você?

Gui: “Eu sou o Guilherme, a Gui ou a “Grossinha” como me chamam na internet, rs. Tenho 22 anos, moro em São Paulo, capital. Sou formado em Produção de Moda e atualmente trabalho em um e-commerce de moda e estou procurando um espaço na internet onde eu possa comunicar sobre as potencias do meu corpo. Me identifico como uma pessoa não-binária e não me importo com pronomes. O Guilherme ou a Gui são vários/várias em um só́ corpo. Sempre digo que o meu corpo é mutável e estou aberta a qualquer mudança. Viver é não se prender nas amarras da sociedade. Pra mim sempre enxerguei moda como comportamento e comunicação pura, eu decido a mensagem que quero deixar no mundo.”

– Como você explicaria o que é Identidade de gênero pra alguém que não sabe ou não entende?

Gui: “Identidade de gênero nada mais é do que o gênero com que a pessoa se identifica, homem, mulher ou se ela vê a si como fora do convencional, como em não-variedade e variância de gêneros. Pode também ser usado para referir ao gênero que certa pessoa atribui, tendo como base como a pessoa se reconhece como indicações de papel social de gênero (roupas, corte de cabelo, etc.”

– Qual o peso da Identidade de Gênero na moda pra você que vive uma Identidade de Gênero que não é o “padrão” da sociedade?

Gui: “A maior dificuldade em ser uma pessoa não binaria, além do machismo, é claro, é a falta entendimento das pessoas. Me chateia quando dizem que eu estou perdida, eu tenho total noção de quem eu sou. Estou viva e quero ser quem eu puder e quiser ser.”

– O que você acredita ainda faltar na sociedade pra todos pararem de definir gênero pelas roupas?

Sinto que hoje na Moda as pessoas aceitaram e entenderam melhor que no final do dia roupa é roupa, não existe gênero em um pedaço de tecido. Mas continuo batendo na tecla de que estamos muito distantes desse lugar respeitador que todos nós deveríamos ter acesso.

– Você se sente representado pelas lojas/marcas?

Não lembro de não me sentir representado porque sempre enxerguei roupas como elas são: roupas. É importante ressaltar que estou falando de um lugar de muito privilegio por ser uma pessoa magra e ter facilidade em achar roupas que caibam em mim. Mas saibam que setor masculino e feminino não é capaz de aprisionar corpos livres.

– O que você pensa sobre marcas que produzem moda sem gênero? Você acredita que Moda Sem Gênero é o futuro da moda?

Marcas que tem como embasamento a Moda Agênero são marcas que ganham espaço no mercado pela causa, mas não consigo afirmar que seria o futuro da moda. Precisamos conquistar muitas outras coisas ainda e a moda é um reflexo da sociedade, quando conseguirmos aí sim a moda sem gênero ganha vida e espaço.

– O que você acredita ainda faltar na sociedade pra todos pararem de definir gênero pelas roupas?

Como eu disse ali em cima, moda é comunicação pura e um reflexo social, quando nós conseguirmos destruir essa sociedade patriarcal que nos silenciam o tempo todo, assuntos como esses não serão mais discutidos. Eu não luto pelo fim da moda, eu só́ quero uma moda mais justa e que nos aceite. Enquanto a gente não atinge esse lugar respeitador não vamos nos silenciar, não podemos ter medo. Roupa comunica mais do que a gente imagina, roupa (trans)forma. É tão lindo ver um corpo livre e feliz.

Eu não luto pelo fim da moda, eu só́ quero uma moda mais justa e que nos aceite. Enquanto a gente não atinge esse lugar respeitador não vamos nos silenciar, não podemos ter medo. Roupa comunica mais do que a gente imagina, roupa (trans)forma. É tão lindo ver um corpo livre e feliz.”


No Brasil, existe uma luta gigante para todos serem aceitos do jeito que são e todos poderem se expressar como quiserem. Na teoria, todos temos direito a expressão e a existência, porém quando falamos de pessoas que fogem da curva padronizada da sociedade, vemos várias rachaduras no sistema. Vemos que somos o país com mais casos de mortes por conta da LGBTQIA+fobia, somos o país que mais mata pessoas por serem pessoas.

Claro que toda essa luta tem vários outros aspectos, mas a Moda é uma forma da gente mostrar pra sociedade que tá tudo bem sermos quem somos, quem queremos ser, então que tal voltar pra cena fashion de 1700?!

Canais de denúncia contra LGBTQIA+fobia virtual (redes sociais, sites, etc)https://new.safernet.org.br/denuncie

Delegacias – Toda delegacia tem o dever de atender as vítimas de homofobia e de buscar por justiça. Nesses casos, é necessário registrar um Boletim de Ocorrência e buscar a ajuda de possíveis testemunhas na luta judicial a ser iniciada. As denúncias podem ser feitas também pelo 190 (número da Polícia Militar) e pelo Disque 100 (Departamento de Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos).

Em alguns estados brasileiros, há órgãos públicos que fazem atendimento especializado para casos de homofobia.

Bibliografia

https://sp.cut.org.br/noticias/brasil-segue-no-topo-dos-paises-onde-mais-se-mata-lgbts-4d85

Artigo: Construindo a Diferença, Vestuário e Gênero no Séc  XIX

Galpão Mag

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