Sustentabilidade e Ativismo Ambiental

Por Bárbara Mandarano

O dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado no dia 5 de junho, data recomendada pela Organização das Nações Unidas (ONU), tem como objetivo principal estimular a reflexão sobre a conservação da natureza e chamar atenção da população para os problemas ambientais.

Convidamos Renan Andrade, gestor ambiental e organiser da 350.org, organização global que atua contra as mudanças climáticas, pra conversar um pouco sobre suas experiências.

Renan é Gestor Ambiental formado pelo IFSULDEMINAS campus Inconfidentes, atuou na elaboração de projetos sustentáveis junto a comunidades rurais em risco socioambiental no médio norte matogrossense.

Atua em todo país na organização de campanhas informativas, ministrando cursos e treinamentos, e ainda, na mobilização de atores sociais diversos, instituições públicas e privadas, no apoio ao desenvolvimento sustentável e autônomo das comunidades e instituições.

A 350, organização para qual você trabalha é uma união de pessoas comuns e profissionais que trabalham para acabar com a era dos combustíveis fósseis e construir um mundo de energias renováveis, livres e acessíveis a todos. Conte um pouco sobre seu trabalho e atuação nos projetos da 350.

Renan: “Sou responsável por análises técnicas e organização de campanhas informativas, mobilização de atores sociais diversos e instituições na busca de uma transição energética que nos livre dos combustíveis fósseis (Petróleo, gás e carvão), principal causa do aquecimento global que tem causado prejuízos imensos a toda sociedade com eventos extremos como secas e furacões, vitimando milhares de pessoas.”

O projeto da Mina Guaíba apresentado pela mineradora Copelmi envolve a implementação de um pólo carboquímico, um empreendimento que tem ambições econômicas, mas provoca controvérsias devido à crise ecológica. Como você avalia essa situação diante dos impactos e riscos ambientais que podem ser causados?

Renan: “O mundo não suporta mais a queima de combustíveis fósseis, tampouco o avanço de projetos que contribuam ainda mais para o aquecimento global e façam novas vítimas. Temos uma tendência global de mudanças na matriz energética, como na Alemanha por exemplo, que instituiu o fim da exploração de carvão no país até 2038 e isso tem sido pauta de outros países que também entenderam que os combustíveis fósseis é algo ultrapassado.

A instalação de um polo carboquímico no Rio Grande do Sul vai, portanto, na contramão das perspectivas globais de abandono da matriz energética com base em combustíveis fósseis, como a Mina Guaíba, que pretende extrair e queimar 166 milhões de toneladas de carvão numa região com quase 5 milhões de habitantes.”

Qual a repercussão da população em torno desse assunto e como se posicionam os governantes locais sobre a situação?

Renan: “Não houve debate nem discussão. Apesar de termos leis que exigem isso, essas leis foram ignoradas. Por parte do poder público e por parte da Copelmi, a impressão que tenho é quanto menos gente souber desse projeto monstruoso, melhor. Mas a sociedade acordou e todo o processo de discussão e ampliação do debate tem se dado pela mobilização de tecidos sociais diversos que tiveram informações a partir das nossas campanhas e outras.

O governo estadual é favor do projeto e tenta empurrar isso goela abaixo da sociedade. Força do lobby da indústria da mineração no país.”

Qual caminho você considera mais eficiente para a obtenção de políticas ambientas?

Renan: “O caminho da educação e da informação. As pessoas devem ter acesso às informações que impactam diretamente a vida delas, e partir disso participar diretamente na formulação das regras que elas próprias serão subordinadas e/ou beneficiadas. Isso engrandece nosso povo e aprimora a democracia.”

A série brasileira de televisão Aruanas, produzida pelos Estúdios Globo e lançada pelo serviço de streaming Globoplay, foi escolhida como nossa matéria de entretenimento dessa edição e contou com a parceria e colaboração de diversas organizações ambientais, entre elas a 350. Falar sobre a importância do ativismo é absolutamente urgente e necessário, especialmente frente ao desmonte da legislação ambiental e aos crescentes ataques aos direitos individuais que estamos assistindo no país. Você como ativista se vê representado pelos personagens e suas histórias? Como você avalia a contribuição da série para a sociedade?

Renan: “É bom entender que tudo que é série, novela, filme, acaba sendo romantizado, ou seja, nuances artísticos para entreter melhor o espectador. Contudo, as atrizes e atores fizeram ótimos laboratórios com ativistas, e conheceram um pouco do nosso mundo, com isso, conseguiram passar bem o que fazemos no nosso dia-a-dia e os riscos constantes que vivemos. Afinal, o Brasil é um dos países que mais mata defensores ambientais no mundo.

Além disso, talvez o mais importante, conseguiram mostrar bem como os esquemas de corrupção favorecem os ataques aos direitos individuais e devastação da natureza, e que para lidar com isso, é necessário muita habilidade e coragem.

Entendo que a série traz elementos muito importantes para os tempos atuais onde as políticas públicas ambientais tem sido desmontadas pelo governo federal para favorecer a destruição da natureza e com isso, atender interesses escusos e criminosos. É a arte imitando a vida, ou a vida imitando a arte. Tempos sombrios.”

Estamos na semana do meio ambiente, quais projetos apresentados pela 350 como proposta de conscientização das pessoas para o assunto?

Renan: “Estamos em mais de 150 países espalhados pelo globo, e cada região tem sua campanha específica, porém, nosso eixo central para essa semana, é o que estamos chamando de RECUPERAÇÃO JUSTA, que se baseia em 5 princípios para que possamos nos recuperar de maneira saudável após essa pandemia do covid-19, com muito respeito as pessoas e ao meio ambiente.
No Brasil estamos organizando uma vigília climática pela saúde e pelo planeta, essa vigília tem o objetivo de homenagear as vítimas do corona vírus bem como fazer uma grande corrente do bem para refletir sobre os cuidados que temos que ter com o planeta.”

A conscientização ambiental é a transformação em relação aos prejuízos sofridos pelo meio ambiente devido a sua exploração pelos seres humanos. Na sua opinião quais medidas de conscientização podem ser tomadas pra que as pessoas possam melhorar e contribuir na preservação ambiental?

Renan: “Informação nos mais diversos e plurais sentidos. O que estamos fazendo aqui é algo importante nesse caminho. Falar sobre sustentabilidade e ativismo ambiental para um público ligado à moda, é algo que me dá esperança de que podemos construir um futuro diferente.

Gestos pessoais e políticos também são de extrema importância para a transformação da sociedade, como por exemplo, o investimento em energias renováveis e o desinvestimento nas energias sujas (petróleo, gás e carvão). Evitar consumir sem precisar também, ou, consumir de marcas e empresas que tragam em sua política a preocupação com o meio ambiente. São alguns exemplos que sugerimos. Para quem quiser saber mais sobre nossas campanhas, que inclusive tem cursos gratuitos sobre essas temáticas, acessem nosso site: 350.org/pt.”

Galpão Mag

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