O que é Pink Money e Pinkwashing?

Por Caíque Jota

Em 2016 tivemos um fluxo imenso de discussões sobre o “Pink Money” e nessas discussões o termo ganhou uma conotação negativa e o significado e importância do termo foi perdida.

Para eu explicar para você a melhor forma de olharmos para o termo Pink Money, preciso voltar lá na década de 1960. Nos anos 60 começou um debate, pelos especialistas de marketing da época, sobre a importância de incluir nichos nos mercados de massa para aumentar a demanda de produtos e vendas.

Embora esse debate tenha ocorrido nos anos 60, só nos anos 90 as empresas passaram a adotar essa tendência com mais seriedade e essa visão de dividir o mercado em nichos de massa passou a ser visto como uma oportunidade. As empresas passaram a entender que as pessoas possuíam uma forma de consumo ideológico e muitas vezes o que motivava elas a comprar era o sentimento de identificação da causa que ela acreditava com o produto que ela estava consumindo.

Ou seja, o mercado percebeu que nós da comunidade LGBTQIA+ comprávamos mais de marcas que mostravam apoio a nossa causa. Depois dessa constatação, foi criado o termo Pink Money. Esse nome foi dado ao nicho que transmite o Poder de Compra da população LGBTQIA+. O que não é negativo, quando pensamos na importância da causa ter visibilidade para que haja cada vez mais conscientização das pessoas sobre nossa Comunidade.

De acordo com um estudo feito pela Out Leadership, Organização que desenvolve Iniciativas ao público LGBTQIA+, publicado em uma matéria do site Métropoles em 2019 “ […] o poder de compra do segmento é estimado em US$ 133 bilhões, o que corresponde a 10% do nosso PIB. No ranking mundial, ficamos à frente de países como Itália, Holanda, Espanha e Canadá, tornando a sociedade LGBT brasileira uma mina de ouro a ser desbravada.”.

Podemos dizer, de modo geral, que esses dados significam que a comunidade LGBTQIA+ possui um enorme poder dentro da economia mundial. Estudos feitos em 2016 por uma especialista de Economia Criativa do Sebrae Bahia, Ana Paula Almeida, mostram que gays e lésbicas consomem mais bens de luxo, design e moda, além de viajar quatro vezes mais que a média e gastar 30% mais que o turista tradicional. Esse Poder de Compra deve ser usado ao nosso favor.

Lembra que citei que em 2016 houve muita discussão sobre esse assunto e foi criado uma conotação negativa para o termo? Essa conotação se deu pelo fato de várias marcas se apropriarem da luta contra a LGBTQIA+fobia somente para vender. Ou seja, vimos que várias marcas criavam coleções para o mês do Orgulho, mas nos outros 11 meses do ano não moviam um dedo pela luta e muitas dessas marcas praticavam atos preconceituosos contra a Comunidade. Para definir esse ato, foi adotado um termo chamado Pinkwashing (Lavagem Rosa).

Originalmente esse termo foi criado em 2002 por uma organização de combate ao câncer de mama chamada Breast Cancer Action para criticar empresas que criavam produtos com fita rosa (símbolo de apoio a luta contra o câncer de mama), porém fabricavam produtos cancerígenos. Ou seja, o termo foi criado para criticar a incoerência das empresas em uma determinada causa. Posteriormente o Pinkwashing passou a ser usado para definir o ato de mostrar inclusão de uma maneira oportunista e não apresentar para a comunidade LGBTQIA+ formas de inclusão e luta pela causa.

Empresas que falam em suas propagandas que deve haver inclusão na sociedade, DEVEM ser inclusivas. Não adianta, por exemplo, uma marca criar uma coleção cheia de referencias para a comunidade LGBTQIA+, mas quando alguém dessa comunidade for fazer uma entrevista, essa pessoa não ser contratada por conta da sua sexualidade. Não adianta vender itens cheios de arco ires no mês do Pride e nos outros meses fingir que a homofobia não existe e não ajudar a causa.

5 Dicas Para Identificar o Pinkwashing

Para ajudar vocês a trilhar um caminho para um consumo mais consciente, temos aqui algumas dicas para identificação da Lavagem Rosa.

  1. Entre no Instagram da Marca – Deve haver apoio aos LGBTQIA+ durante o ano inteiro. Seja apoio através da inclusão de pessoas da Comunidade nas postagens, seja por fornecer informações sobre causas. Não vale só querer vender roupas cheia de Arco Ires no mês da Pride, é necessário que seja feito mais, uma vez que estamos falando sobre uma luta constante, a lgbtqia+fobia não existe só em junho.
  • Entre no Site da Marca – Todas as Marcas possuem campos no site que falam sobre os Valores deles e sobre causas que acreditam. Procure essas informações e veja se bate com o que você acredita. Se não houver nada sobre o que você acredita e eles usam o mês do Orgulho para marketing, talvez essa marca não vá fazer nada com o dinheiro que você está investindo nela.
  • Entre no Twitter da Marca – Se a marca possuir Twitter, vá nas menções da marca e veja se possui reclamações voltadas a LGBTQIA+fobia ou algum outro tipo de preconceito que você não compactue. O twitter pode ser uma fonte incrível para você ver o que as pessoas já enfrentaram durante atendimentos e etc. Twitteiros são tudo.
  • Use o Google – Essa ferramenta de busca não tem erros para encontrarmos casos anteriores de preconceito. Eu costumo digitar o Nome da Loja + homofobia ou racismo. O Instagram pode esconder tudo com um feed bonito cheio de cores, mas as noticias sobre os casos de LGBTQIA+fobia não somem do Google.
  • Pesquise quem está por trás da Marca  – Veja quem são os Investidores daquilo e o próprio dono. Pode ser que a pessoa responsável e os investidores digam muito sobre a marca e sua ideologia. Essas informações devem constar na parte Institucional do Site.

É importante que nós entendamos, como parte dessa comunidade e luta, que temos Poder e precisamos começar a mover a economia ao nosso favor e não favorecer quem não luta com nós todos os dias.

Happy Pride.

Consultados:

Galpão Mag

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