Como fica os afetos em tempos de isolamento?

Por Miranda Luz

Que o mundo está passando por um dos seus processos mais complexos da história, nós já entendemos.

Mas como fica as nossas relações de afeto em tempos tão delicado?


Talvez esse texto seja a materialização da minha minha saudade. Saudade da liberdade ou talvez da possibilidade de dias distintos. Saudade pegar um metrô pra casa da Alina ou só ir caminhando até a casa da Ana ou do Gabi com um vinho embaixo do braço. Saudade das esbarradas pela vida. Saudade até daquele famoso “vamo marca” que muitas vezes pelas loucuras das nossas rotinas deixamos de lado inconscientemente. Mas doido mesmo é entender que atualmente as demonstrações de amor e afeto se baseia em cuidar da saúde de quem você se importa, sobretudo da nossa, sendo o isolamento e distanciamento os métodos mais seguros e eficazes para isso. 

Em muitos casos, no meu por exemplo, que fui me apaixonar logo quando um vírus que mata em média 1000 pessoas por dia no Brasil sil sil, se instaurou no mundo. Ai fico com uns pensamentos do tipo: como estruturar essa relação ou qualquer outra sem afetar a saúde uma da outra? Ou então fico pensando se seria muito egoísmo querer viver isso agora? E claramente é, né fofa. 

Aí bate a saudade que traz junto várias ansiedades e dois, no meu caso, e aí a festa tá feita. Mas pelo menos estamos com saúde. 

Mas além de proporcionar saudade, esse período também proporcionou reconexões.
Eu mesma passei um período maravilhoso com uma instituição chamada família, que eu enquanto travesty, ainda não tinha experienciado. Várias terapias para conseguir fazer esse movimento, mas no fim foi melhor do que eu esperava ou achava que merecia. Talvez seja sobre disposição. Inclusive; beijo, mãe! Já tô com saudade. 

Mas aí na sequência penso também  em como vão ser materializados esse contatos quando isso tudo tiver fim? Se vamos realmente aprender a nos valorizarmos enquantos indivíduos distintos, se vamos abrir os olhos para o que está ao nosso redor? Ou se vamos retomar nossas rotinas frenéticas, vivendo a “vida de formiga”. 

Bom, eu sempre detestei quem só fala de saudade. Mas eu to com tanta saudade…

Galpão Mag

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